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Lei Geral das Artes esquenta debate de financiamento da cultura

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , , , , , , , , , , ,
A coluna da Sonia Racy, no jornal O Estado de São Paulo desta terça-feira, 25 de março, publica a seguinte nota, referindo-se a Celso Frateschi:

"O dublê de ator e presidente da Funarte não quer remendos na Lei Rouanet. Sua meta é 'reformar todo o edifício em vez de fazer um puxadinho'. Para tanto, mandou para o forno projeto que vai dar o que falar na classe artística. A 'Lei Geral das Artes' não só deve aperfeiçoar os mecanismos de renúncia fiscal como descentralizar incentivos culturais".

Cultura e Mercado não concorda com a coluna ao classificar Celso Frateschi como dublê. É um ator e um ativista cultural respeitado, com grandes serviços prestados à comunidade.

Não obstante, quer conhecer o projeto, seus fundamentos, para debatê-lo publicamente. E coloca algumas questões para aquecer essa discussão:

1) Nada mais importante que a criação de uma Lei Geral das Artes. O mais importante é que as artes recebam finalmente um tratamento compatível com sua relevância social, educativa e como expressão dos indivíduos e de grupos sociais. E não apenas por sua faceta mercadológica, como o tratamento dado às artes pelas câmaras setorias criadas recentemente pela Funarte o faz.

2) Que a sociedade e as organizações culturais sejam articuladas, consultadas e participadas do processo, sob o risco de vivenciarmos uma nova Ancinav, ou mesmo uma Lei Geral das Comunicações. Ainda há tempo e capital político para se discutir algo dessa dimensão, mas é preciso aprender com o passado.

3) Se a Lei Geral das Artes vai substituir a Lei Rouanet, corre o risco de nascer equivocada. A lei de incentivo é somente um mecanismo para convocar empresas a participação dos processos culturais do país. Não é uma lei de financiamento público às artes. Se o Ministério da Cultura o tem nessa conta, está equivocado e contribui para que a sociedade o entende de maneira igualmente equivocada. Ou seja, que venha a Lei Geral, mas não é preciso acabar com os incentivos e toda uma dependência do mercado, para sancioná-la. São dois departamentos diferentes, que estão ligados por pura falta de novos mecanismos de financiamento, como os aqui propostos.


4)
Ainda sobre o discurso anti-Lei Rouanet deste governo, vale ressaltar que alguns veículos de comunicação atribuíram a fala do presidente da Funarte como algo científico e embasado por números. Mas na verdade há um monte de achismos. Não há nada que prove que o público do teatro diminuiu e os preços aumentaram por causa da Lei Rouanet. Ela virou bode expiatório da própria inabilidade governamental para lidar com este que é o principal instrumento de financimento à cultura.


5)
Por último e ainda sobre a Lei Rouanet, vale ressaltar o que já é público e notório. Sua revisão e reformulação é mais do que necessária. O que não podemos mais assistir é o açoitamento público deste mecanismo, como se ele não fosse responsabilidade do próprio governo.

Publicado originalmente em Cultura e Mercado

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Diga ao povo que fico!

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , , , , , , , , , , , , ,
No dia 18, o Zero Hora publicou uma nota afirmando que Gilberto Gil havia desistido de deixar o Ministério da Cultura e que continaria a missão de gestor das políticas públicas nacionais o setor. "Quando falei que ia sair do ministério, estava assustado porque era a segunda vez que teria de operar minhas cordas vocais", disse o ministro.

O plano do governo Lula é de investir cerca de 4,7 bilhões de reais até 2010 PAC Social. Mas, mesmo assim no entendimento do ministro é pouco e algumas pautas estão sendo recolocadas na mesa. Em entrevista ao repórter Alex Rodrigues da Radiobrás, o ministro defendeu a reformulação da lei de incentivo à cultura via renúncia fiscal.

“É necessário corrigir mecanismos na lei que permitam o cumprimento da exigência de regionalização, do compromisso com a produção artística local”, disse Gil enquanto retornava de sua viagem de dois dias ao Amazonas. De acordo com o ministro, a legislação tem permitido, entre outras coisas, que as empresas invistam apenas em espetáculos e ações de grande visibilidade, em sua maioria, na Região Sudeste e ao longo do litoral.
“Isso tem de estar casado com a capacidade orçamentária do ministério. Para você transformar aportes que estão vindo de renúncia fiscal em aportes que venham diretamente do orçamento, através de uma lei de fomento à produção artística, é preciso uma melhoria do nosso orçamento. Com o atual, não podemos fazer isso.”
O ministro vai encarar o Congresso este ano com mudanças na atual Lei Rouanet. Enquanto o debate político não pega na mídia, O Estadão aproveitou para criticar o cantor na abertura do Festival de Verão de Salvador. Mas, se os Mesquitas não estão indo com a cara do ministro, os digitalizados estão. Vídeos do show do cantor com Ivete Sangalo estiveram no topo das paradas de acesso nos canais do YouTube no começo da semana. E do YouTube vem a novidade que recolocou Gil na imprensa nesta terça-feira.



O que atraiu O Globo, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil e a cobertura tecnológica da web foi o empurrão de Gil (ou seriam os músicos que estão sendo empurrados) para a tendência aberta e livre da comunicação digital. Conforme os jornais, Gilberto Gil se tornou o primeiro artista brasileiro com um canal exclusivo no YouTube.

O presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, afirmou que existem planos de criar outros canais de artistas brasileiros. "A idéia é que seja um canal democrático para que artistas mostrem seus trabalhos. Queremos ver artistas surgindo a partir do YouTube", disse Hohagen na Folha.

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Governança da Internet

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , , , , , , , ,
O caderno Link, de O Estado de S.Paulo, destacou, em reportagem de Rodrigo Martins, entrevista com o responsável pela organização do Internet Governance Forum (IGF), Markus Kummer, da ONU. Kummer acredita que o futuro da internet é de responsabilidade de todos: sociedade, empresas e governos.

"E estes últimos (os governos), na sua opinião, devem se dar conta da importância da rede mundial para fomentar o acesso, principalmente em países pobres, com o objetivo de trazer desenvolvimento social e econômico".

Ainda segundo o jornal, depois de surgir a pedido dos países-membros da ONU para tentar resolver a questão da internacionalização dos domínios, em 2005, o IGF, agora caminha para se tornar um espaço para discussões sobre o futuro da web.

A reportagem fala ainda em "universalização do acesso" como o tema mais importante do encontro. "Muitos governantes não sabem o que é a rede mundial e nem como ela pode dar oportunidade às pessoas", disse ao Link, entre uma pausa e outra das inúmeras palestras de que participou na semana passada. "Já países nada democráticos não querem saber mesmo, pois enxergam na web uma forma de perder o controle da situação".

Banda Larga
O despertar da Organização das Nações Unidas para o tema, em uma postura de colocar o debate claramente dentro de uma disputa de classes entre ricos e pobres, legitima os debates travados sobre a banda larga no Brasil, enfrentados pelo Ministério da Cultura.

O mesmo Estadão de hoje, em uma pequena nota, lembrou que foram anunciados planos de inclusão digital para o Brasil. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que o governo pretende levar banda larga para todas as escolas do País.

Para isso, vai interligar a estrutura de fibras ópticas já existentes em gasodutos, oleodutos e torres de energia. Outro anúncio foi feito pelos Ministérios da Cultura, da Ciência e Tecnologia e pela Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. A idéia é construir infra-estrutura para disseminar a banda larga, além de fomentar a produção de conteúdo digital e montar um grupo de discussões sobre a web com setores da sociedade.

O alerta dos militantes da área, e das recentes articulações, como a recém criada Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura, a Teia 2007 - tudo de todos e a Conferência Nacional de Comunicação, que está sendo articulada, são quanto aos meios físicos, acessibilidade e infraestrutura (os tais backbones) capazes de trafegar largas mensagens digitais com qualidade.

O debate do acesso em banda larga, para a democratização do tráfego de informações multimídia é tão necessário quanto a revisão das leis e regras mundiais sobre a propriedade intelectual. A sociedade se transforma, e os governos não vêm, ou não querem ver. Não fazem parte da transformação. Por vezes se apropriam do debate.

Mais do Link

Pela própria dinâmica da internet, Kummer conta que o fórum também foi modificado. "Em Túnis (local do primeiro IGF, em 2005), apenas os governos podiam ter voz. Havia platéia, mas ela não podia se manifestar - mesmo se houvesse um representante de uma empresa que estivesse em debate. Revimos isso. Neste ano, abrimos o encontro também para a sociedade civil e as empresas".

Esse novo modelo, disse, representa uma quebra de protocolo inédita nas convenções da ONU. Por outro lado, tirou o caráter mais prático e concreto das reuniões.
"Não há documento ou resolução nenhuma assinada. Mas vimos que não há como discutir a internet sem levar em conta todos os atores do processo. Além disso, os governos precisam aprender os conceitos, para praticá-los. No futuro, os membros da ONU poderão, juntos, tomar decisões mais acertadas baseadas no que foi discutido neste e nos futuros encontros".

No IGF deste ano, foram quatro os temas principais: universalização do acesso, segurança no ciberespaço, diversidade cultural e códigos abertos. 'O estágio de disseminação da rede é muito diferente no mundo. Os países pobres se preocupam em levar a web a todos. Os ricos estão mais preocupados com questões relacionadas à segurança, como pedofilia', destacou.

Mais sobre IGF
http://ecodigital.blogspot.com/2006/11/igf-atenas-respondendo-carta-maior.html

http://www.cultura.gov.br/foruns_de_cultura/cultura_digital/na_midia/index.php?p=20516&more=1&c=1&pb=1

http://www.igfbrasil2007.br/

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