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Lançamento de livros e documentário no V Enecult

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , ,
Nesta quinta-feira, dia 28, como parte do Quinto Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (V Enecult), acontece no Palacete das Artes Rodin Bahia a exibição do documetário Vermelho Imaginário e o lançamento oito livros acerca das políticas culturais e campos de estudo da cultura.

DOCUMENTÁRIO


Vermelho Imaginário

Vermelho Imaginário revisita o universo mitológico do sebastianismo desvendando a fantasia e a resistência de um folguedo popular em vias de desaparecimento. O documentário conduz o olhar, através das lembranças da Festa de São Sebastião e da Luta entre Mouros e Cristãos de antigos pescadores da comunidade dos Aymorés, no extremo sul da Bahia. O mestre popular, reator da harmonia entre fé e imaginação, projeta sua própria vida na brincadeira numa linha tênue entre a vida e a morte, transmitindo devoção e respeito às tradições ancestrais.

Romildo, o mestre embaixador Mouro


Ficha Técnica

Produção Executiva: Eliana Mendes e Mateus Damasceno
Roteiro e direção: Mateus Damasceno
Fotografia: Pedro Santana
Câmera: Mateus Damasceno e Pedro Santana
Produção: Juliana Kalid
Som Direto: Victor Uchôa
Montagem: Pedro Santana
Trilha Sonora Original: Tangre Oliveira
Arte Gráfica: Toni Couto
Gênero: documentário, cor, HDV / 2009
Duração: 15 minutos


LIVROS


Transversalidades da Cultura

Linda Rubim e Nadja Miranda (org.)

EDUFBA - 2008


Quinto volume da Coleção Cult, o livro registra as conferências de renomados estudiosos do Brasil e de outros países, notadamente da Ibero America, no III Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), realizado em 2007, em Salvador. O mosaico de textos traduz a arquitetura do encontro — um acontecimento cultural ímpar para os estudos da cultura no país — que se propõe a cada ano a ser um fórum democrático de acolhimento aos modos diversos de pensar a cultura e a deslocar as discussões gerais para temas mais específicos, mantendo-se, obviamente, fiel à pauta cultural.




Transas da cena em transe: teatro e contracultura na Bahia

Raimundo Matos de Leão

EDUFBA - 2009


A obra é fruto de tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA, em 2007. Aborda questões relativas ao teatro em meio ao ideário contracultural, investindo sua argumentação contra a afirmação de que a produção teatral que se dá de 1968 a 1974 é destituída de criticidade. Propondo outro ponto de vista, o livro apresenta e analisa a produção teatral para afirmar que não houve um "vazio cultural" durante o período em que o governo civil-militar esteve no poder e utilizou a censura e a repressão para calar os artistas.




Políticas Culturais: um campo de estudo

Lia Calabre (org.)

Edições Casa de Rui Barbosa - 2009


Políticas Culturais: um campo de estudos? Podemos afirmar que sim. Um campo novo, é verdade, mas extremamente promissor. Foi sob essa afirmativa que se reuniu, em 2006, um grupo de vinte e quatro pesquisadores, com o objetivo de apresentar estudos e discutir questões ligadas à gestão, produção, indicadores e equipamentos na na área cultural. Esta publicação foi composta por trabalhos de alguns desses pesquisadores, tendo em vista uma das atribuições principais do Setor de Estudos de Política Cultural da Fundação Casa de Rui Barbosa: promover o diálogo entre pesquisadores, contribuindo para uma maior circulação dos trabalhos realizados nas diversas regiões do país.



Políticas Culturais: diálogo impensável - vol. II

Lia Calabre (org.)

Edições Casa de Rui Barbosa - 2009


Os textos que compõem esse volume são originários do Colóquio 2005 da série Políticas Culturais: Diálogo Indispensável. A série foi dedicada à promoção de encontros entre especialistas de áreas diversas, estudantes e gestores da área de cultura onde foram apresentados e debatidos estudos da área de políticas culturais, tendo como um dos objetivos, o de contribuir para a institucionalização desse campo de estudos.





Escritas e narrativas sobre alimentação e cultura

Maria do Carmo Soares de Freitas, Gardênia Abreu Vieira Fontes

e Nilce de Oliveira (Org.)

Edufba - 2008


Este livro reúne estudos sobre Alimentação e Cultura e prioriza escritas e narrativas sobre o comer em distintos grupos e lugares. Fundamenta-se nas Ciências Humanas para diversas leituras sobre o comer e, assim, busca compreender a nutrição como ação social. E para conhecer o universo simbólico das relações entre cultura e alimentação, estudam-se o habitus, condutas, comportamentos alimentares, valores e crenças.





Evaluar el Desarrollo Cultural: Una propuesta desde el Sur de Córdoba

Silvia Aballay

EDUVIM - 2009


O livro apresenta uma proposta de avaliação de um Programa de Desenvolvimento Cultural implantado pela Universidade Nacional de Río Cuarto, em conjunto com 151 municípios do Sul da Província de Córdoba, na Argentina, entre os anos de 1992 e 2001. A experiência integrou a Universidade, municípios, profissionais da cultura e produtores culturais públicos e privados com um propósito comum: contribuir com o desenvolvimento das localidades e regiões através do desenvolvimento e gestão da cultura. Esta avaliação propõe indicadores e técnicas de sistematização, evidenciando a importância do Programa, seu impacto na região e a percepção dos atores envolvidos e seu crescimento.



A invenção da Baianidade

Agnes Mariano

Annablume - 2009


Identidade baiana. O que faz ser baiano. Baianidade. A referência a um modo de agir, ser e sentir definido como tipicamente baiano aparece em relatos de viajantes, criações de artistas e intelectuais, da indústria do entretenimento e do turismo. A autora busca nas letras de canções os hábitos, práticas e valores que sustentam esse discurso. Encontra a "Boa Terra", uma Bahia tranqüila, letárgica, dengosa, e também a "Terra do Axé", dos trios, da negritude, da alegria. Interligando os dois períodos, a defesa simultânea da tradição e do prazer, a tensão entre a obediência e a transgressão. E é justamente no convívio entre perspectivas distintas, que são encontradas as razões da vitalidade desse discurso, oferecendo ao leitor elementos para repensar como e porquê a baianidade prossegue alimentando utopias baianas, brasileiras e universais.



Políticas culturales na Iberoamerica

Albino Rubim e Rubens Bayardo (org.) 2.ed.

Universidad Nacional de Colombia/Coleción Libros de Facultad - 2009


A centralidade da cultura na contemporâneidade, expressa inclusive na convenção sobre diversidade cultural, aprovada em 2005, recolocou o tema das políticas culturais na ordem do dia. Em sintonia com o promissor cenário e com base em um roteiro proposto pelos organizadores, este livro reúne dez textos de estudiosos que discutem as políticas culturais em países íbero-americanos, visando estimular intercâmbio e reflexões.



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Cobertura do V Enecult

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Confira a cobertura compartilhada do Quinto Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (V Enecult)



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Lia Calabre: “Estamos retomando pressupostos marioandradianos”

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , , , , ,


Doutora em História Social acredita que políticas culturais estão atualizando pressupostos de Mário de Andrade

Carlos Gustavo Yoda *


As questões que envolvem a relação entre o Estado e a cultura são consideradas pertencentes ao campo das políticas culturais, mas estas políticas vão muito além de iniciativas estatais. Segundo doutora em História Social da Universidade Federal Fluminense, Lia Calabre, políticas culturais são um conjunto de ações sistemáticas, institucionalizadas, e que podem ser realizadas também por agentes privados, com objetivo de desenvolver o setor.

Os estudos sobre estas políticas constituem, conforme uma colocação de Philippe Urfalino que a pesquisadora destaca em artigo de 2007, "Os estudos de política cultural contribuem para a constituição de uma espécie de história da ideologia cultural do Estado".

Conforme a pesquisadora que coordenou uma mesa sobre Indicadores Culturais nesta quarta-feira no Quinto Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (V Enecult), no Brasil, a história da ideologia revela “um Estado de origem oligarca e elitista, formado por uma visão européia de civilização e que por isso investiu, durante muito tempo, em projetos de educar as práticas culturais do conjunto da população”.

Para Calabre, esse é um dos motivos pelos quais o projeto de proteção do patrimônio com uma visão ampla, como foi o de Mário de Andrade, foi reduzido a política de proteção do patrimônio edificado e europeu. Em entrevista via correio eletrônico, Calabre falou sobre políticas de comunicação, os desafios em constituir políticas de Estado que não sejam dissolvidas na dança das cadeiras governamentais e sobre como a gestão das políticas culturais estão recuperando nos últimos anos, de forma atualizada, alguns dos pressupostos marioandradianos. Confira a entrevista na íntegra.

Carlos Gustavo Yoda - O que são políticas culturais?
Lia Calabre -
São um conjunto da ações sistemáticas, articuladas coerentemente entre si, institucionalizadas, realizadas por agentes públicos e privados, com o objetivo de desenvolver o campo da cultura, de maneira a satisfazer as necessidades culturais da população, seja na esfera da produção, da capacidade de expressão ou do consumo. E que devem ser elaboradas de maneira participativa.

Yoda - Em artigo publicado no livro Políticas Culturais no Brasil: Balanço & Perspectivas (editado pelo CULT-UFBA) você destaca Philippe Urfalino: "Os estudos de política cultural contribuem para a constituição de uma espécie de história da ideologia cultural do Estado". Qual o histórico dessas ideologias no Brasil?
Calabre -
Um Estado de origem oligarca e elitista, formado por uma visão européia de civilização e que por isso investiu, durante muito tempo, em projetos de educar as práticas culturais do conjunto da população. Esse é um dos motivos pelos quais o projeto de proteção do patrimônio com uma visão ampla, como foi o de Mário de Andrade, foi reduzido a política de proteção do patrimônio edificado e europeu. Ainda temos muito dos resquícios dessa visão de civilizar as práticas culturais. Desde meados da década de 1970, principalmente a partir da gestão de Aloísio Magalhães, tal visão vem sendo alterada muito lentamente. Tal processo é intercalado por momentos de exclusão quase total da presença do estado. Podemos dizer que estamos retomando, de maneira atualizada, alguns dos pressupostos marioandradianos, nos últimos anos.

Yoda - No III Enecult, você disse que "O desafio é montar projetos que não se desmanchem com o advento de um novo governo. E a manutenção da política é tão mais intensa quanto for a sua relação com a sociedade”. Políticas como o Cultura Viva já estão protegidas pela sociedade como políticas de estado ou os avanços obtidos ainda correm o risco de se desmancharem com outros governos?
Calabre -
Ainda não. Na verdade ele ainda é um programa, mas que parte para uma nova etapa de consolidação, que é a da parceria com os estados e municípios. Esse processo de envolvimento dos diversos níveis de governo é fundamental para a alteração de programa para política - que deve avaliar o programa, criar (ou não) novas ações, redirecionar atividades. Mas para isso, também é necessário que mantenhamos no poder governos com o compromisso de dar continuidade a um modelo de gestão mais participativa. Tudo isso aumenta a possibilidade de manutenção do programa dentro de uma política voltada para ações descentralizadas.

Yoda - Outro ponto que você levantou em 2007 foi a necessidade de políticas inter-relacionadas a outros setores. O projeto do governo Lula, Mais Cultura, prevê essa dinâmica de maneira eficiente e suficiente?
Calabre -
O programa Mais Cultura fez avançar. Temos, por exemplo, que intensificar o diálogo e estreitar o trabalho com o Ministério da Educação, por exemplo. Agora os pesos políticos dos Ministérios são diferentes. O papel do MinC cresceu enormemente, mas não o suficiente, até mesmo por falta de estrutura, de equipe, para dar conta de tantos desafios e de anos de despolitização da área.

Yoda - Uma das primeiras políticas culturais que você considera no Brasil é a regulamentação do setor de radiodifusão, em 1932. Hoje o país está preparando sua primeira Conferência Nacional de Comunicação. Qual a importância de debater políticas de comunicação para a promoção e proteção da diversidade das expressões artísticas e culturais?
Calabre -
A questão do conteúdo veiculado pelos meios de comunicação de massa nunca foi enfrentado pelo governo, exceto pela censura política e de costumes. O processo praticado no país levou a concentração de "falas", de "construção de uma diversidade monótona" - assentada nos mesmos princípios estéticos e empresariais.

A Conferência Nacional de Comunicação é o momento de se discutir novos modelos de difusão de conteúdos. No Brasil, a TV é o principal, e muitas vezes único, meio de acesso a produção cultural, ela tem alcance nacional e necessita expressar afetivamente esse caráter nacional.

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* Carlos Gustavo Yoda cobre o V Enecult a convite da organização do evento com o apoio do Ministério da Cultura e do Instituto de Artes Humanidades e Ciências Professor Milton Santos
confira mais em yoda.jor.br – caderno2pontozero.blogspot.com – 100canais.jor.br

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V Enecult ao vivo

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , ,
Confira a transmissão do V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura ao vivo pela internet. A cobertura completa você confere


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Encontro consolida multidisciplinaridade de estudos em cultura

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , , , , , , , ,
Teóricos reúnem-se em Salvador para compartilhar reflexões sobre cultura e suas políticas


Nesta quarta-feira, dia 27, começa o Quinto Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (V Enecult), em Salvador. Pesquisadores de diversos campos do conhecimento debatem políticas que regulam os bens intangíveis e a diversidade das expressões artísticas e culturais até o próximo dia 29, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia e na Faculdade de Comunicação.

Foram inscritas 450 propostas e a comissão científica do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult), organizador do Encontro, selecionou 250 estudos dos mais diferentes cantos do Brasil. Conforme o coordenador adjunto do Cult, o doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas, Leandro Colling, entre os desafios da quinta edição do maior encontro acadêmico do setor ainda está a consolidação dos estudos em cultura a partir da multidisciplinaridade. Organizam também o evento o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura), o Instituto de Artes Humanidades e Ciências Professor Milton Santos e a Faculdade de Comunicação e da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Além das mesas temáticas que acontecem simultaneamente no período da tarde dos três dias do evento, a programação (confira na íntegra) reúne painéis com intelectuais de países da América Latina, Portugal e Espanha sobre algumas pautas centrais para o setor, como o debate de gênero e sexualidade, afrodescendência no universo midiático e a relação entre políticas culturais e políticas de comunicação.

Em entrevista via correio eletrônico, Colling disse que o volume de trabalhos inscritos mostra que os estudos em perspectiva multidisciplinar estão crescendo no Brasil e que o Enecult está se transformando no evento brasileiro onde eles podem ser apresentados e discutidos e que a academia tem contribuído ativamente na formulação e na avaliação das políticas culturais nos últimos anos no Brasil. Leia a entrevista na íntegra.

Carlos Gustavo Yoda - Quais são os desafios da quinta edição do Enecult comparado às edições anteriores? Que transformações aconteceram no cenário acadêmico desde a primeira edição do encontro?
Leandro Colling -
Penso que o desafio está em consolidar os estudos da cultura em uma perspectiva multidisciplinar. Esse desafio vem sendo enfrentado desde a primeira edição, mas acredito que agora estamos em um momento de maturação para consolidar essa proposta. Nos primeiros encontros, muitos trabalhos apresentados ainda estavam ligados a uma área específica do conhecimento. Isso não mais ocorre na mesma intensidade nos trabalhos que serão apresentados no V Enecult. Aliás, os trabalhos que não estavam sintonizados com essa proposta sequer foram aprovados pela comissão científica do Enecult. Mas isso também pode ser feito porque tivemos quase 450 trabalhos enviados e selecionamos cerca de 250. Esse volume mostra que os estudos em perspectiva multidisciplinar estão crescendo no Brasil e que o Enecult está se transformando no evento brasileiro onde eles podem ser apresentados e discutidos. E esses dados também atestam que o próprio cenário acadêmico está mais propenso a ampliar os horizontes disciplinares. Os pesquisadores estão deixando de ficar apenas dentro das disciplinas.

Yoda - Entre a programação principal dos palestrantes, quais devem ser os temas principais que estarão em pauta? Por que estão em destaque?
Colling –
A cada edição do Enecult, os temas mudam um pouco. A idéia é contemplar uma variedade de temas, pois vários deles são centrais para pensarmos a cultura contemporânea. Nesse V Enecult, as mesas foram montadas pensando também nos grupos de pesquisa existentes no CULT. Por isso, pela primeira vez, teremos uma mesa-redonda para tratar sobre gênero, sexualidade e cultura, temática de um dos novos grupos de pesquisa do CULT, o Cultura e Sexualidade (CUS), do qual sou coordenador. E não faremos uma mesa com discussões já muito conhecidas por quem tradicionalmente estuda gênero na academia brasileira. Outra mesa importante é a que discutirá a mídia, e em especial o cinema, e a afrodescendência. Esses dois temas estão em destaque porque os organizadores do Enecult entendem que são assuntos que devem ser discutidos com profundidade, dada a importância dessas questões para os estudos da cultura.

Yoda - A academia participa da formulação e da avaliação das políticas culturais? Em quais questões a reflexão acadêmica tem pautado o debate?
Colling -
É claro que não é apenas a academia que tem participado da formulação e avaliação das políticas culturais, mas acredito que o papel dela tem sido muito importante nos últimos anos. Várias pessoas que estão em cargos importantes, tanto na esfera estadual (no caso da Bahia) como no Ministério da Cultura são oriundas da academia e nela pensavam e ainda pensam sobre o tema das políticas culturais. No caso da descentralização dos recursos e na exigência das contrapartidas, por exemplo, é visível perceber que essas propostas parecem vir das discussões travadas na academia em anos anteriores.

Yoda - Muitas políticas públicas para a cultura passam por mudanças, gostaria de saber a opinião de vocês sobre alguns pontos e se e como as questões devem surgir no Encontro:
Colling -
As mudanças propostas nas políticas públicas para a cultura certamente estarão em debate no V Enecult. Aliás, esse é um tema recorrente nos nossos encontros. Um desses momentos vai ocorrer na última mesa-redonda do Enecult, intitulada Políticas de Cultura e Políticas de Comunicação, com Francisco Caballero (Espanha), Orlando Senna (Brasil) e César Bolaño (UFS/Brasil). Além disso, a comissão científica do Enecult aprovou a proposta da pesquisadora Lia Calabre, que vai coordenar uma mesa sobre Políticas e Indicadores Culturais. Essa mesa ocorre no auditório da Facom, na tarde do primeiro dia do encontro, dia 27 de maio. Outras mesas com apresentação de trabalhos também tratam de políticas publicas, a partir de vários enfoques e recortes. Certamente esses trabalhos contam com análises de políticas públicas já implantadas em vários lugares. Os pesquisadores também apresentam suas propostas para solucionar determinados problemas.

Yoda - A proposta do Ministério da Cultura para reformulação da lei de incentivo com a implantação do fundo deve realmente contribuir para reduzir a concentração dos investimentos do setor?
Colling -
Eu penso que sim, desde que tenhamos garantia de que os recursos do fundo serão distribuídos de forma democrática. Não podemos mais manter essas discrepâncias regionais. O Ministério informa que a Bahia, em 2008, captou R$ 7 milhões em renúncia fiscal via lei Rouanet. Ficou em segundo lugar na captação do Nordeste, atrás apenas do Ceará, que captou R$ 7,8 milhões. Mas São Paulo ficou com R$ 336,8 milhões e o Rio de Janeiro com R$ 270,7 milhões. Mesmo guardando as devidas proporções entre os estados, é claro que algo precisa ser feito para reduzir esses abismos.

Yoda - Em dezembro será realizada a primeira Conferência Nacional de Comunicação. Por que é importante para a cultura debater políticas públicas de comunicações?
Colling -
A realização da Conferência foi um dos motivos para que o V Enecult contasse com uma mesa-redonda sobre políticas de comunicação. Como eu já disse acima, a mesa vai tratar sobre política de comunicação e políticas de cultura. Isso porque nós entendemos que é impossível dissociar essas duas questões. Ou seja, enquanto não democratizarmos a comunicação em nosso país, as políticas culturais, por mais brilhantes que sejam, sempre terão dificuldade de alcançar os seus objetivos.

Yoda - No ano que vem teremos também Conferência de Cultura, quais pautas vocês entendem que ainda são tabus e precisam de políticas para garantia da diversidade das expressões culturais?
Colling -
Um dos temas ainda é a questão do que alguns chamam de “dirigismo cultural”. Muitos confundem política cultural com dirigismo. Ora, se não tivermos mecanismos que garantam a diversidade é claro que as expressões culturais mais ligadas ao mercado e, portanto, ligadas às grandes empresas, ficarão sempre impendido a diversidade. É isso que eu, particularmente, chamaria de dirigismo.
Fora essa questão mais geral, penso que ainda são tabus as expressões culturais mais marginalizadas, no sentido de estarem na margem e que querem permanecer na margem. Falo, por exemplo, em relação a minha pesquisa, sobre gênero e sexualidade. O programa Brasil sem Homofobia, do governo federal, possui um capítulo especial sobre cultura. No geral, o programa avançou muito pouco, mas nessa questão não avançou praticamente nada.

* Carlos Gustavo Yoda cobre o V Enecult a convite da organização do evento com o apoio do Ministério da Cultura e do Instituto de Artes Humanidades e Ciências Professor Milton Santos

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