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Encontro consolida multidisciplinaridade de estudos em cultura

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , , , , , , , ,
Teóricos reúnem-se em Salvador para compartilhar reflexões sobre cultura e suas políticas


Nesta quarta-feira, dia 27, começa o Quinto Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (V Enecult), em Salvador. Pesquisadores de diversos campos do conhecimento debatem políticas que regulam os bens intangíveis e a diversidade das expressões artísticas e culturais até o próximo dia 29, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia e na Faculdade de Comunicação.

Foram inscritas 450 propostas e a comissão científica do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult), organizador do Encontro, selecionou 250 estudos dos mais diferentes cantos do Brasil. Conforme o coordenador adjunto do Cult, o doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas, Leandro Colling, entre os desafios da quinta edição do maior encontro acadêmico do setor ainda está a consolidação dos estudos em cultura a partir da multidisciplinaridade. Organizam também o evento o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura), o Instituto de Artes Humanidades e Ciências Professor Milton Santos e a Faculdade de Comunicação e da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Além das mesas temáticas que acontecem simultaneamente no período da tarde dos três dias do evento, a programação (confira na íntegra) reúne painéis com intelectuais de países da América Latina, Portugal e Espanha sobre algumas pautas centrais para o setor, como o debate de gênero e sexualidade, afrodescendência no universo midiático e a relação entre políticas culturais e políticas de comunicação.

Em entrevista via correio eletrônico, Colling disse que o volume de trabalhos inscritos mostra que os estudos em perspectiva multidisciplinar estão crescendo no Brasil e que o Enecult está se transformando no evento brasileiro onde eles podem ser apresentados e discutidos e que a academia tem contribuído ativamente na formulação e na avaliação das políticas culturais nos últimos anos no Brasil. Leia a entrevista na íntegra.

Carlos Gustavo Yoda - Quais são os desafios da quinta edição do Enecult comparado às edições anteriores? Que transformações aconteceram no cenário acadêmico desde a primeira edição do encontro?
Leandro Colling -
Penso que o desafio está em consolidar os estudos da cultura em uma perspectiva multidisciplinar. Esse desafio vem sendo enfrentado desde a primeira edição, mas acredito que agora estamos em um momento de maturação para consolidar essa proposta. Nos primeiros encontros, muitos trabalhos apresentados ainda estavam ligados a uma área específica do conhecimento. Isso não mais ocorre na mesma intensidade nos trabalhos que serão apresentados no V Enecult. Aliás, os trabalhos que não estavam sintonizados com essa proposta sequer foram aprovados pela comissão científica do Enecult. Mas isso também pode ser feito porque tivemos quase 450 trabalhos enviados e selecionamos cerca de 250. Esse volume mostra que os estudos em perspectiva multidisciplinar estão crescendo no Brasil e que o Enecult está se transformando no evento brasileiro onde eles podem ser apresentados e discutidos. E esses dados também atestam que o próprio cenário acadêmico está mais propenso a ampliar os horizontes disciplinares. Os pesquisadores estão deixando de ficar apenas dentro das disciplinas.

Yoda - Entre a programação principal dos palestrantes, quais devem ser os temas principais que estarão em pauta? Por que estão em destaque?
Colling –
A cada edição do Enecult, os temas mudam um pouco. A idéia é contemplar uma variedade de temas, pois vários deles são centrais para pensarmos a cultura contemporânea. Nesse V Enecult, as mesas foram montadas pensando também nos grupos de pesquisa existentes no CULT. Por isso, pela primeira vez, teremos uma mesa-redonda para tratar sobre gênero, sexualidade e cultura, temática de um dos novos grupos de pesquisa do CULT, o Cultura e Sexualidade (CUS), do qual sou coordenador. E não faremos uma mesa com discussões já muito conhecidas por quem tradicionalmente estuda gênero na academia brasileira. Outra mesa importante é a que discutirá a mídia, e em especial o cinema, e a afrodescendência. Esses dois temas estão em destaque porque os organizadores do Enecult entendem que são assuntos que devem ser discutidos com profundidade, dada a importância dessas questões para os estudos da cultura.

Yoda - A academia participa da formulação e da avaliação das políticas culturais? Em quais questões a reflexão acadêmica tem pautado o debate?
Colling -
É claro que não é apenas a academia que tem participado da formulação e avaliação das políticas culturais, mas acredito que o papel dela tem sido muito importante nos últimos anos. Várias pessoas que estão em cargos importantes, tanto na esfera estadual (no caso da Bahia) como no Ministério da Cultura são oriundas da academia e nela pensavam e ainda pensam sobre o tema das políticas culturais. No caso da descentralização dos recursos e na exigência das contrapartidas, por exemplo, é visível perceber que essas propostas parecem vir das discussões travadas na academia em anos anteriores.

Yoda - Muitas políticas públicas para a cultura passam por mudanças, gostaria de saber a opinião de vocês sobre alguns pontos e se e como as questões devem surgir no Encontro:
Colling -
As mudanças propostas nas políticas públicas para a cultura certamente estarão em debate no V Enecult. Aliás, esse é um tema recorrente nos nossos encontros. Um desses momentos vai ocorrer na última mesa-redonda do Enecult, intitulada Políticas de Cultura e Políticas de Comunicação, com Francisco Caballero (Espanha), Orlando Senna (Brasil) e César Bolaño (UFS/Brasil). Além disso, a comissão científica do Enecult aprovou a proposta da pesquisadora Lia Calabre, que vai coordenar uma mesa sobre Políticas e Indicadores Culturais. Essa mesa ocorre no auditório da Facom, na tarde do primeiro dia do encontro, dia 27 de maio. Outras mesas com apresentação de trabalhos também tratam de políticas publicas, a partir de vários enfoques e recortes. Certamente esses trabalhos contam com análises de políticas públicas já implantadas em vários lugares. Os pesquisadores também apresentam suas propostas para solucionar determinados problemas.

Yoda - A proposta do Ministério da Cultura para reformulação da lei de incentivo com a implantação do fundo deve realmente contribuir para reduzir a concentração dos investimentos do setor?
Colling -
Eu penso que sim, desde que tenhamos garantia de que os recursos do fundo serão distribuídos de forma democrática. Não podemos mais manter essas discrepâncias regionais. O Ministério informa que a Bahia, em 2008, captou R$ 7 milhões em renúncia fiscal via lei Rouanet. Ficou em segundo lugar na captação do Nordeste, atrás apenas do Ceará, que captou R$ 7,8 milhões. Mas São Paulo ficou com R$ 336,8 milhões e o Rio de Janeiro com R$ 270,7 milhões. Mesmo guardando as devidas proporções entre os estados, é claro que algo precisa ser feito para reduzir esses abismos.

Yoda - Em dezembro será realizada a primeira Conferência Nacional de Comunicação. Por que é importante para a cultura debater políticas públicas de comunicações?
Colling -
A realização da Conferência foi um dos motivos para que o V Enecult contasse com uma mesa-redonda sobre políticas de comunicação. Como eu já disse acima, a mesa vai tratar sobre política de comunicação e políticas de cultura. Isso porque nós entendemos que é impossível dissociar essas duas questões. Ou seja, enquanto não democratizarmos a comunicação em nosso país, as políticas culturais, por mais brilhantes que sejam, sempre terão dificuldade de alcançar os seus objetivos.

Yoda - No ano que vem teremos também Conferência de Cultura, quais pautas vocês entendem que ainda são tabus e precisam de políticas para garantia da diversidade das expressões culturais?
Colling -
Um dos temas ainda é a questão do que alguns chamam de “dirigismo cultural”. Muitos confundem política cultural com dirigismo. Ora, se não tivermos mecanismos que garantam a diversidade é claro que as expressões culturais mais ligadas ao mercado e, portanto, ligadas às grandes empresas, ficarão sempre impendido a diversidade. É isso que eu, particularmente, chamaria de dirigismo.
Fora essa questão mais geral, penso que ainda são tabus as expressões culturais mais marginalizadas, no sentido de estarem na margem e que querem permanecer na margem. Falo, por exemplo, em relação a minha pesquisa, sobre gênero e sexualidade. O programa Brasil sem Homofobia, do governo federal, possui um capítulo especial sobre cultura. No geral, o programa avançou muito pouco, mas nessa questão não avançou praticamente nada.

* Carlos Gustavo Yoda cobre o V Enecult a convite da organização do evento com o apoio do Ministério da Cultura e do Instituto de Artes Humanidades e Ciências Professor Milton Santos

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Cobertura do III Enecult em 2007

Carlos Gustavo Yoda Filed Under: Marcadores: , , , , , , , ,
Como havia prometido, separei as reportagens que produzi na terceira edição do Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura promovido pelo CULT-UFBA, em Salvador, em 2007.


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Salvador sedia maior evento de estudos em cultura do país

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No final de maio estarei em Salvador para cobrir, a convite da organização do evento, o V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), organizado pelo centro de estudos Cult  da Universidade Federal da Bahia. Participei da cobertura deste evento em sua terceira edição, em 2007, e nas próximas semanas estarei publicando uma retrospectiva dos debates dos últimos anos e entrevistas com pesquisadores e o coordenador do evento, o professor Albino Rubim. Abaixo, segue release e programação prévia.


Salvador sedia maior evento de estudos em cultura do país

Teóricos de diversas partes do globo debatem, nos três dias de evento, temáticas ligadas à área cultural.

 

Estudos da Cultura, Gênero e Sexualidade, mídia e etnicidades, Futebol, Comunicação e Contemporaneidade, Políticas de Cultura e Políticas de Comunicação. Este serão alguns dos temas a serem debatidos no V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura – V Enecult. O encontro reúne, na capital baiana, estudiosos da cultura de inúmeros estados brasileiros, América Latina e Europa, entre 27 e 29 de maio, no Salão Nobre da Reitoria da Ufba e na Faculdade de Comunicação (Campus de Ondina). Durante os três dias de evento serão realizadas palestras, mesas-redondas, apresentação de trabalhos e lançamento de livros.

Para as palestras e mesas redondas, já estão confirmadas as presenças de pesquisadores como: a educadora Guacira Lopes Louro; o cineasta Joel Zito Araújo; o comunicólogo e professor argentino, Luis Albornoz, o ator e diretor de teatro, cinema e TV, Milton Gonçalves; a antropóloga mexicana Ana Rosas Mantecón e o músico, compositor, ensaísta e professor José Miguel Wisnik; dentre outros.

 

A realização pelo quinto ano consecutivo do Enecult - maior evento internacional centrado na discussão e apresentação de estudos na área da cultura do Brasil - só vem a confirmar a consolidação e importância da temática na atualidade. O Encontro tem como público-alvo pesquisadores, professores, estudantes universitários e profissionais vinculados ao campo cultural.

O V Enecult é promovido pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult), pelo Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura),  pelo Instituto de Artes Humanidades e Ciências Professor Milton Santos, pela Faculdade de Comunicação e da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Maiores informações pelo e-mail cult@ufba.br ou pelo telefone (71) 3283 6198.

 

SERVIÇO

O quê: V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura

Onde: Reitoria da Ufba (Canela) / Facom-Ufba (Campus de Ondina)

Quando: de 27 a 29 de maio de 2009

Informações: www.enecult.ufba.br, cult@ufba.br / (71) 3283 6198

Promoção: Cult/Pós-Cultura/IHAC/Facom/Ufba

Renata Rocha

Assessoria de Comunicação V Enecult

71 9157 5795

 

PROGRAMAÇÃO 

27 de maio de 2009

09h – Credenciamento

09h30 – Mesa de abertura do V ENECULT

10h – Mesa-redonda I: Estudos da Cultura

José Machado Pais (Portugal)

Ana Rosas Mantecón (México)

Marta Elena Bravo (Colômbia)

14h30 às 16h30 - Apresentação de trabalhos

16h30 - Intervalo

17h às 19h - Apresentação de trabalhos

 

28 de maio de 2009

09h - Palestra I: Cultura, Comunicação, Contemporaneidade

Luis Albornoz (Argentina)

10h - Mesa-redonda II: Imagens em preto e branco: afrodescendência e universo midiático brasileiro contemporâneo

Zulu Araújo (Fundação Cultural Palmares/Brasil)

Milton Gonçalves (Brasil)

Joel Zito Araújo (Brasil)

Maurício Pestana (Brasil)

Lepê Correa (Brasil)

Noel dos Santos Carvalho (Brasil)

14h30 às 16h30 - Apresentação de trabalhos

16h30 - Intervalo

17h às 19h - Apresentação de trabalhos

20h – Confraternização e Lançamento de Livros

 

29 de maio de 2009

09h - Palestra II: Cultura e Futebol

José Miguel Wisnik (Brasil)

10h – Mesa-redonda III: Cultura, Gênero e Sexualidade

Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ/Brasil)

Guacira Lopes Louro (UFRGS/Brasil)

Larissa Pelúcio (Unicamp/Brasil)

14h30 às 16h30 - Apresentação de trabalhos

16h30 - Intervalo

17h – Mesa-redonda IV: Políticas de Cultura e Políticas de Comunicação

Francisco Caballero (Espanha)

Orlando Senna (Brasil)

César Bolaño (UFS/Brasil)



www.enecult.ufba.br

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